terça-feira, outubro 28, 2008

SETORES DA PF PERSEGUEM A VEJA COMO SE FOSSEM A KGB

Mais do Rei
David Martín Castro, da ONU, tomando banho de rio durante o "cativeiro". Outro "refém", o procurador Trindade (à dir.) usa celular dos índios. Ao centro, Nacoça: agora, ele é cacique da FUNAI
Esse negócio de eu ser um espectador noturno do mundo tem lá as suas vantagens. Até a democracia sai ganhando, acho eu. Vejam vocês: eu estou acordado. Os meus colegas de VEJA, até onde sei, dormindo. O preço da liberdade é a vigilância 24 horas... Acabo de apurar um troço preocupante. Mais uma vez, setores da Polícia Federal vão atrás do mensageiro, e não da mensagem. Eles agora se dão ao desplante de “investigar” o trabalho do correspondente da VEJA em Belo Horizonte, José Edward. O processo 2008. 41.00.004219-8, conduzido pela Superintendência do órgão em Rondônia e que corre em segredo de Justiça na Segunda Vara Federal daquele estado, tenta descobrir as fontes que o jornalista usou para produzir a reportagem “Seqüestro Fajuto” (link abaixo), publicada por VEJA em abril. Nela, Edward afirma que o procurador federal Reginaldo Trindade participou de uma farsa ao dar a impressão de que fora seqüestrado, juntamente com um funcionário da ONU, por índios cintas-largas, de Rondônia, no fim do ano passado. A reportagem foi documentada por fotos e também por vídeos no site de VEJA. Neles, os “seqüestrados” agradecem emocionados a recepção, os churrascos e as festas oferecidas pelos cintas-largas. Outros vídeos mostravam que o procurador também era conivente com a exploração ilegal de madeira na reserva dos índios suruí. A investigação da Polícia Federal foi solicitada por Trindade. Em 1º de maio, feriado do Dia do Trabalho, ele pediu aos seus colegas do Ministério Público que abrissem uma representação criminal para apurar as fontes de Edward. Onze dias depois, um despacho do procurador Francisco Marinho determina ao delegado federal Mauro Sposito que descubra se Edward foi a Rondônia apurar a matéria e com quem ele falou. Para isso, orienta Sposito a obrigar as empresas aéreas a informar se o repórter comprou passagens para Rondônia e aventa a possibilidade de quebrar seu sigilo telefônico. No dia 29 do mesmo mês, uma portaria de outro delegado, Leopoldo Soares Lacerda, abre o inquérito que investiga Edward por “denunciação caluniosa” e “formação de quadrilha”. Inacreditável! Há muita coisa estranha nessa “investigação”. A primeira: a Polícia Federal quer revelar fontes de jornalistas, cujo sigilo é resguardado pela Constituição e é uma das bases da liberdade de imprensa. A segunda: a Polícia Federal “investiga” o jornalista por calúnia, e não o procurador, contra o qual pesam os vídeos, fotos e documentos mencionados na reportagem. A portaria assinada pelo delegado Leopoldo Soares Lacerda diz textualmente que seu objetivo é apurar a “publicação de falsas notícias”. Quais falsas notícias, cara pálida? A terceira: o delegado Leopoldo Soares Lacerda diz em seu texto que atende pedidos de apuração oriundos do Supremo Tribunal Federal, mas o procurador não tem direito a foro nessa corte. Lorota. Enquanto a PF faz o papel de polícia política contra quem ousa denunciar maracutaias, o caso do dossiê fajuto contra os tucanos — aquele dos “aloprados” do PT — permanece sem indiciados desde 2006 e ninguém investiga facilidades concedidas por um banco público a uma ratazana do jornalismo marrom. Você quer ler a íntegra daquela reportagem? Clique aqui Quer ver o filme documentando o falso seqüestro? Clique aqui

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