segunda-feira, novembro 17, 2008

Essa

DE SANCTIS E SEUS JUÍZOS PERTURBADOS
Olhem, tenho os vídeos em que o juiz Fausto De Sanctis tece considerações sobre o que ele entende deva ser o trabalho de um juiz. Ele também expressa o seu entendimento do que deva ser a Justiça. Hesitei um pouco antes de escrever o que vai abaixo, mas sou obrigado a concluir: ele não tem de ser afastado do caso Dantas, não. Ele tem de ser afastado é da profissão. E seu destino não me interessa. Seu discurso é o de um político, não o de um juiz. Pois que faça política. Confesso que me vi tentado a lhe recomendar um antidepressivo. Mas o seu problema é ideológico mesmo, não anímico. Não há química que dê jeito. E também me surpreendi com a sua habilidade em espancar a língua portuguesa. Ah, claro: ele se define como alguém “intenso”. Acho que meu amigo Gerald Thomas não o contrataria para o seu teatro. Thomas quer atores inteligentes, não atores “intensos”. O vídeo que vocês vêem acima, complementado por outro, dá conta de um juiz que, de modo inequívoco, acredita que a lei e a Constituição são empecilhos para a realização da efetiva democracia e da verdadeira justiça. Ora, se ele acredita nisso, o que faz como juiz? Ontem, uns dois ou três — talvez o mesmo leitor se fazendo passar por legião — me diziam que, ó!!!, me admiravam muito, mas, depois das minhas considerações sobre De Sanctis, passaram a desconfiar de mim. “Como você não apóia um juiz como este?” É mesmo? Então vão para o diabo que os carregue. Eu apoiar De Sanctis??? Um juiz que, sob o pretexto de pegar Daniel Dantas, cita o nazista Carl Schimitt como ideal de direito e de justiça? Reitero: vão para o diabo sem mim. Ou deixem que eu vá para o diabo sozinho, como diria o poeta. Por que havemos de ir juntos? Leitores não me faltam. E eu quero qualidade. Quem acha De Sanctis um gênio ou um mártir tem de dar pinta lá no blog do anões, dos mãos-peludas e das ratazanas. Reitero: esse juiz piorou a sua reputação comigo. Com ele, além das bobagens que diz, a língua de Camões ainda sai toda esfolada. O homem não acerta uma concordância nominal. Seu domínio da inculta e bela é pior do que o do Apedeuta. Vejam aí o vídeo acima. Ele traz o trecho em que o juiz cita o nazista e afirma que a Constituição “tem seu valor”, mas que é só “um documento”, que “não pode ser mais importante do que nós mesmos”. Ousado, ele garante: “Isso não pode ser interpretado de outra forma”. Não??? Na parte mais preocupante de sua intervenção, declara sem receio: “O juiz que não se doa, que não se doa para a análise correta dos fatos concretos, FAZ COM QUE OS FATOS SE MEÇAM PELA JUSTIÇA, E ISSO NÃO É CERTO. É A INVERSÃO DE VALORES (...)” Entendeu, leitor? Você pode até dizer: “O que eu tenho com isso?” Bem, você está no mundo e pode ter um inimigo ou outro. Se um dia cair nas malhas da Justiça, torça para que o juiz não seja desses que acham errado que “os fatos se meçam pela Justiça”. Se ele tratar a Justiça com esse menoscabo, convenha, você estará frito. Um juiz que acha que os fatos não se medem pela Justiça emprega qual metro, qual regra, qual medida? Eu acho que Dantas não vai dançar. Ele pode até se dar bem. O delegado Protógenes e o juiz De Sanctis, resta evidente, meteram os pés pelas mãos. Pecaram por ideologia e incompetência. Pelo visto, eles queriam menos punir as eventuais ilegalidades de Dantas do que testar a elasticidade do estado de direito. Comentando as escutas telefônicas, obviamente abusivas, afirma De Sanctis, já no outro vídeo: “Causa espécie a muita gente, especialmente no exterior, a discussão, estéril, de que se deve ou não fazer interceptação, SEJA ELA DE QUE NATUREZA FOR, para combater o crime organizado. Em que mundo vivemos? O mundo ideal? Esse... Eu também gostaria que não precisasse disso. Eu sou o primeiro a querer... A não abrir mão, a não usar desse instrumento, ou desses instrumentos, QUE, DE CERTA FORMA, SÃO INVASIVOS À PRIVACIDADE, MAS NÃO TEM OUTRO JEITO. Esse é o caminho. Se é o caminho, vamos fazer o caminho da melhor maneira possível”. É a fala de um monarca absolutista, não de alguém submetido à Carta. “SEJA ELA (a escuta) DE QUE NATUREZA FOR” uma pinóia, senhor juiz! A escuta é regulada por lei. Está claro que a Operação Satiagraha violou uma penca de códigos. Só mesmo alguém que tem um nazista como ídolo do direito para achar que tudo vale a pena. Pois eu tenho uma novidade para De Sanctis: NÃO VALE. Os dois vídeos que vocês podem ver revelam a perspectiva de um “paladinista”; de alguém que pretende posar de herói; de alguém que fala (e muito mal!!!) pelos cotovelos. Se Dantas sair impune dessa ópera bufa, os únicos responsáveis são De Sanctis e Protógenes. Eles tinham a lei para punir o banqueiro. Preferiram, de modo confesso, o caminho fora da lei. Não há meio-termo. A fala pública do juiz é nada menos do que INACEITÁVEL. E, se ele continuar com o poder que tem, saberemos que, ao julgar uma causa, ele pensará: “OS FATOS NÃO SE MEDEM PELA JUSTIÇA”.

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